O Monturo e o Entardecer

  • Todas os dias, ao cair da tarde, depois que finalizava as tarefas diária, a cena se repetia.

     Ela se debruçava sobre o parapeito do pátio, e observava o monturo e adorava quando ouvia um estalar de uma folha seca, ou de uma vagem que se abria, ressequida pelo o sol. Foram dias seguidos, numa imensa espera, de em seus abraços acolher.

    A saudade de sua mamãe fechava o seu peito. Era a tristeza do pôr-do-sol, que se repetia, e logo tudo escurecia. Era uma declaração silenciosa de saudade, que lhe falava da falta que ela lhe fazia.

    Uma declamação silenciosa e sem platéia. Uma prosa muda e sem vozes. Ao som do vento frio e gelado, uma memória saudosa de esperança. Um grilo ressoava a sua canção, anunciando a chegada da noite. A Cigarra rasgava a cantar.

    E ela ali, parada, perecia entregue ao abandono. Uma lágrima quente lavava aquele seu rosto pequenino, com brilho angelical, enquanto o último raio de sol resplandecia, sobre a sua face molhada de saudade.

    Entre suspiros, no monturo relembrava os sonhos, e questionava, sobre as coisas que nele se perdiam.

    Porém, a saudade fora maior do que a tristeza, entardecer memorável como o vento, a ansiedade de matar-la , fora maior, do que toda a imensidão do nada, juntas.

    Que ninguém espere a separação e a distância para perceber e valorizar a pessoa que ama.

    Tampouco, espere o triste entardecer trazer-lhe a lembrança que o vento dispersou.

    Não espere o monturo vos falar… Ouse ousar, não esconda a alegria da presença, não se prive de abraçar e desabafar.

    O tempo perdido não mais volta, a única que não morre é a lembrança, pois quantas vezes a esperança se desvanece, quando o sol se põe e a noite chega, com aquela escuridão das tristes noites sem luar.

    No caminho, nunca se sabe o que vai encontrar. Pensa em ruas de beleza.

    Mas, o que sempre de tudo sobra, é o monturo, e tudo o que não se usa vai pra lá.

    A imagem daquela pequenina, me fez repensar, na memória que o vento não dispersa.

Poema da Mente – Diálogo entre amigos! (Conto)

Sabe, a minha cabeça, de vez em quando precisa descansar

Ela já se cansa facilmente com a mesmice do dia, e eu durmo muito pouco.

Bom, também estou cansada, e nem fiz nada. Mas eu entendo, você precisa viver novas emoções.

Tu achas?

 

Sim, acho. Quando eu fico assim, é porque, preciso fazer algo novo.

Qual foi a tua última viagem?

Faz tempo

Muito tempo

Viu só!

[Eu não fico sem viajar, nem que seja um bate e volta]

A minha mente tem necessidade de coisas novas.

 Lugares, cheiro, respirar ar novo, as vezes me canso com facilidade, e perco o sono.

Sono?

Sim, o sono. E o sonho dar lugar a imaginação.

Lindo poema da tua mente, escreve-o.

Porque não?

Não tive a intenção de poetizar. Mas a vida inteira é poesia, até na dor.

É lindo mesmo.

Eu sei…

Uma vez, desejei fazer um trajeto de trem, e não o fiz. Sinto falta até hoje, do que não vivi. Das paisagens que não contemplei, do balanço dos vagões. Da companhia adorável de minha amiga Rejanne, dos campos em flores, e do vento soprando a minha face.

Compreendo perfeitamente.

Compreendes?

Eu adoro perseguir as borboletas, fechar os olhos, sentir o vento e ouvir o barulho do nada.

Tu és muito linda.

Mas a beleza  me confundiu, entendes?

Não… Não entendo…

Não entendes?

Não…

Deixa eu explicar, viaje comigo. A beleza que sonhamos, que desenhamos, que tanto almejamos, está nas coisas simples que alegra a nossa alma.

Ainda és nova. Tens muita vida pela frente.

Cadê ela? Quando meus sonhos adormece, perco o vigor, a beleza, e por segundos, deixo de acreditar, e  imaginar a longa e prazerosa viagem na vida.

 Ainda és nova. Tens muita vida pela a frente, precisas dar-lhe uma oportunidade de se manifestar na vida. Já pensaste nisso? Se lhe tens dado essa oportunidade?

Esse aspecto da vida requer muito tempo de dedicação

Muita atenção

Muito carinho

Muito amor

Gostar da vida, de verdade, amar o mundo de Alma e Coração.

Entendo caro amigo!

Mas pergunto-te: Você já admirou a borboleta amarela?

Já caiu de amores pela a 88?

Já observou o tráfego das formigas?

Cá não há borboleta amarela. Faço isso sem deixar a vida.

Há sim, tu que não as percebestes. E as marolas que o vento dá, quando beija as águas salgadas do mar, e o mar retribuí com as suas ondas sorridentes, já observastes?

Eu já fui dono de formigueiros. Apanhava bichinhos (libelinhas) e ponha no carreiro, e elas juntavam-se e carregavam folhas e suprimentos…

E o formigueiro agradecia, com certeza.

E as formigas cortadoras, avermelhadas, quantas delas não se via.

Estive na África, em Miudo, lá havia muita vida, por todos os lados.

Meu amigo!

A África, só é viva em meus sonhos, por lá os meus pés nunca pisastes,

és rico por ter visto e admirado tanta beleza.

 Vivi em Moçambique dos 8 aos 11 anos.

 Moçambique?

E o que vistes por lá, adoçou a sua alma?

 

Sim, Moçambique.

Então voltei a caminhar, por terras que sua mente vai adorar, e reviver a alegria de novas sensações. O meu pai era oficial do exército, e foi colocado lá, quando Moçambique era português, ainda sinto o cheiro no ar.

 

Um oficial de medalhas, creio eu.

 

Mais ou menos.

 

Precisamos dar o pano final do poema, me atiça a melhorar, faça minha mente viajar através das lembranças que teus passos dera, imagino as medalhas que tu trouxestes de lá.

Trouxestes?

 Sei lá!

Era o pôr-do-sol, e o mar… a praia

Uma terra linda, cidade da Beira. Onde estive, 10 km de praia, consecutivos. Dividida com paredões, do lado de lá da rua era a praia.

O chão do jardim da minha casa, era de areia, massageavam os meus pés.

 

Que bela memória, gritou o viajante.

 

Qual?

O nômade de túnica vermelha, nobre como a realeza, não te lembras?

 

É verdade, e vice-versa, fim de conversa.

 

 Que bela viagem nossa mente ganhou, sem tirámos os pés do chão.

 

Belos tempos de sol brilhante.

Essa sensação de dias de sol, dar asas e invade a minha razão, e a tua como fica?

 

Saudosa e carente.

 

Ah, saudosa lembrança, carente talvez, mais vivida com paixão.

Rastro da memória, o tempo não joga fora, mais vira história.

 

Não joga!

 

Como estamos agora, isso é o bom da vida. Hoje, também é bom. Tenho tudo, o que preciso.

 

Dois amigos, sem o calor da presença, mais completos pela a imaginação. Esse calor, eu sinto-o chegar, até mim, amiga.

 

E os jardins, com sua beleza…

É o calor da vida, da inspiração

É calor da sinceridade, da mesma necessidade

É o calor da cumplicidade, entre mãos.

 Eu sinto-te perto, de mim, como a beleza que contemplei. Dela os meus olhos não neguei, andei descalça pela a areia molhada. Acalorada visão.

Meu amigo o que mais te acalorava?

O hoje, o amanhã ou o agora?

Talvez seja o agora.

 O calor da loucura entre amigos poetas. Não tem distância que nos impeças, e tudo isso perde a razão, se não tiver no coração, no novo da mente, e o cheiro da intenção.

Vamos dar as mãos?

Juntos seguiremos nessa viagem de trem, talvez no mesmo vagão, ou talvez não. Mais convido-te, a embarcar comigo, e viver novas emoções. Inove agora a tua mente cansada.

E diga-me, qual é a tua imaginação?

  • Autora: Elizaete Ribeiro
  • Antologia: Lembranças ao Vento

2 respostas para O Monturo e o Entardecer

  1. ticy disse:

    ameiiii
    lindooooo
    parabens!
    “Que ninguém espere a separação e a distância para perceber e valorizar a pessoa que ama.” e a mais pura verdade!
    bjuxxxxxxxxxxxx

  2. Trecho do Conto; O Monturo e o Entardecer:
    Uma vez, desejei fazer um trajeto de trem, e não o fiz. Sinto falta até hoje, do que não vivi. Das paisagens que não contemplei, do balanço dos vagões. Da companhia adorável de minha amiga Rejanne, dos campos em flores, e do vento soprando na minha face.

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